É o tempo passa pra todo mundo mesmo né?
E porque pra mim ia ser diferente? E “gracias a la vida” estou chegando neles !
Nasci na madrugada do dia 16 de julho de 1966 , numa cidadezinha onde todo mundo se conhecia, numa época em que as casas dormiam sem trava nas portas e os carros de vidro aberto ... Onde lanchava na casa de vovó “mate com pãozinho quentinho e manteiga aviação de lata” ! Tinha lugar reservado pra minha amiga imaginaria e xícara pra ela também.
Corumbá, coração do Pantanal , onde a lua no céu parecia mais cheia e as estrelas mais brilhantes junto ao rio Paraguai . Onde as cadeiras de balanço iam pras calçadas no final do dia celebrando o por do sol junto com a vizinhança .
O tereré , o passeio na avenida, a missa aos domingos, tudo tem sabor de infância ...
Quando voltei, depois de sete anos , passei na porta da minha antiga casa , ela estava ali, do mesmo jeitinho, o corredor enorme onde tomávamos banho de mangueira e pela noite estendíamos redes e ficávamos vendo o céu e contando as estrelas no colo de papai, os roseirais , a porta aberta... deu vontade de entrar mas fiquei com vergonha de pedir pra dona da casa .
Quantas coisas se passaram , quanta gente querida se foi e quanta gente querida ficou e quanta gente apareceu e continua aparecendo pra fazer parte da minha historia ( agora já não existe mais a velha “estória”).
Hoje Madrid me deu um presente que me fez voltar a minha cidadezinha , na véspera do meu aniversario caiu uma chuva e aqui com a janela aberta sinto o cheiro de terra molhada ... e volto a ter sensações que as vezes ficam esquecidas no meio de tanto metro, tantos carros, trabalho, computador, no meio da cidade grande... essa semana o céu estava especialmente azul, a lua especialmente crescente e linda!!!!
Brindarei amanha pela vida, pela minha infância, pelos meus seres queridos, pela minha historia , pela minha família , pelos meus amigos , por vocês meus pais que me deram a vida e brindarei feliz pelos meus 42 anos!
É faz tempo sim...